[1888]

Junho - No dia 13, nasce Fernando António Nogueira Pessoa, às 15:22pm (hora aproximada). É portanto do signo de Gémeos. O parto ocorre no quarto andar esquerdo do n.º 4 do Largo de São Carlos em Lisboa. Os seus pais são Maria Magdalena Pinheiro Nogueira, natural da Ilha Terceira, Açores, de vinte e seis anos e Joaquim de Seabra Pessoa, natural de Lisboa, de trinta e oito anos, funcionário público do Ministério da Justiça e crítico musical do "Diário de Notícias". Vivem com eles a avó Dionísia, doente mental e duas criadas velhas, Joana e Emília.
Julho - Fernando Pessoa é baptizado no dia 21 na Igreja dos Mártires, no Chiado, em Lisboa. Os seus padrinhos são a sua Tia Anica (D. Ana Luísa Pinheiro Nogueira, sua tia materna) e o General Chaby. A razão porque lhe é dado o nome de Fernando António está relacionada com dois factores: 1º O dia do seu nascimento, dia 13 de Junho, é dia tradicionalmente consagrado a Santo António na cidade de Lisboa. 2º Os Pessoas reclamavam uma ligação genealógica a Fernando de Bulhões, que viria a ser companheiro de São Francisco de Assis com o nome de Frei António.

[1893]

Janeiro - Nasce o irmão Jorge.
Maio - Julho - De 19 de Maio a 3 de Julho, Pessoa vai com o pai, já doente, para o Hotel Progresso em Caneças, para tratamentos. Ficando o pai pior, regressa a Lisboa dia 3 de Julho, só vendo depois o pai no dia em que ele veio morrer a casa. Ás 5 horas da manhã do dia 13, Joaquim de Seabra Pessoa, seu pai, morre vitimado por tuberculose, em Lisboa. A noticia necrológica é publicada no «Diário de Notícias» de 24 de Julho de 1893.
Outubro/Novembro - A mãe de Pessoa é obrigada a fazer leilão de parte da mobília a fim de se mudar para uma casa mais modesta, o terceiro andar do n.º 104 da Rua de São Marçal, em Lisboa.

[1894]

Janeiro - No dia 2, morre o seu irmão Jorge, que ainda não fizera um ano.
Outubro - A mãe de Fernando Pessoa conhece o comandante João Miguel Rosa, (que virá a ser cônsul de Portugal em Durban, África do Sul).
Dezembro - A avó de Pessoa, Madalena Xavier Pinheiro vem viver com a família para Lisboa (saindo de Angra do Heróismo).
Neste mesmo ano Pessoa cria o seu primeiro heterónimo, Chavalier de Pas, facto relatado pelo próprio a Adolfo Casais Monteiro, numa célebre carta de 13 de Janeiro de 1935 em que fala longamente sobre a origem dos heterónimos.


[1895]

Julho - Tem a data do dia 26 a sua primeira poesia, uma quadra intitulada À minha querida mamã. O comandante João Miguel Rosa parte para a África do Sul.
Dezembro - A mãe de Pessoa casa por procuração, no dia 30, na Igreja de São Mamede em Lisboa, com o comandante João Miguel Rosa, que nesta altura é capitão do porto de Lourenço Marques, em Moçambique.

[1896]

Janeiro - Dia 5 a avó materna de Pessoa regressa à Ilha Terceira. No dia 7, é concedido passaporte à mãe e a Fernando Pessoa. Partem dia 20 para a África do Sul, na companhia de um tio-avô, Manuel Gualdino da Cunha. Viajam no navio Funchal até à Madeira e depois (dia 31) no paquete Inglês Hawarden Castle até ao Cabo da Boa Esperança.
Novembro - No dia 27, nasce a irmã de Pessoa, Henriqueta Madalena.

[1897]

Neste ano, Pessoa faz a instrução primária na escola de freiras irlandesas da West Street. Neste mesmo instituto, faz a primeira comunhão.

[1898]

Outubro - No dia 5, morre a sua avó materna. Dia 22, nasce a sua irmã Madalena Henriqueta.

[1899]

Abril - Ingressa na Durban High School no dia 7, onde permanecerá três anos. Revela-se um bom aluno. É provável que tenha, durante este período, sofrido a influência do director do liceu, W. H. Nicholas, que era um grande conhecedor da literatura inglesa.
Neste mesmo ano, cria o heterónimo Alexander Search.

[1900]

Janeiro - Dia 11, nasce o irmão Luís Miguel, conhecido como Lhi.
Junho - Ophélia Queiroz, a sua única paixão conhecida, nasce no dia 14, em Lisboa.

[1901]

Junho - É aprovado com distinção no seu primeiro exame, o "First Class School Higher Certificate" da Universidade do Cabo da Boa Esperança (universidade que existia apenas no papel, não tendo instalações físicas). Neste mesmo mês, no dia 25, morre a sua irmã, Madalena Henriqueta. Começa nestes meses a escrever as primeiras poesias em inglês.
Agosto - No dia 1, vem a Portugal, com a família, de férias. No navio em que viajam, o paquete König, vem o corpo da sua irmã falecida. O vapor passa por locais exóticos como Lourenço Marques, Zanzibar, Dar-es-Salam, Port Said e Nápoles. Em Lisboa mora com a família em Pedrouços e depois na Avenida de D. Carlos I, n.º. 109, 3º. Esquerdo.
Outubro - Vai a Tavira visitar a "tia" Lisbela Pessoa Machado e outros parentes do lado paterno.

[1902]

Maio - Dia 2, vai com o padrasto, a mãe e os irmãos à Ilha Terceira, nos Açores, onde vive a família materna. Fica 9 dias (7 a 16 de Maio). Escreve a poesia "Quando ela passa" num jornal doméstico que ele próprio cria e dirige chamado A Palavra.
Junho - Dia 26, regressam todos a Durban: a mãe, o padrasto, os irmãos e a criada Paciência que viera com eles. Fernando Pessoa fica em Lisboa.
Setembro - Fernando Pessoa volta sozinho à África do Sul no vapor alemão Herzog, no dia 19.
Outubro - Matricula-se na Commercial School (que funciona em horário nocturno). Tenta escrever romances em inglês.

[1903]

Janeiro - Dia 17, nasce, em Lisboa, o seu irmão João Maria.
Novembro -
Culminam os estudos de Fernando Pessoa, que estudava de noite na Commercial School contemporaneamente estudando disciplinas humanísticas de dia, no exame para admissão à Universidade do Cabo da Boa Esperança ("Matriculation Examination"). A sua classificação é medíocre, mas entre 899 candidatos é-lhe atribuído o prémio «Queen Victoria Memorial Prize» pelo melhor ensaio de estilo inglês. O ensaio perdeu-se, mas seria sobre um de 3 tópicos: a) minha concepção do homem e da mulher instruídos, b) superstições comuns, c) jardinagem na África do Sul.

[1904]

Fevereiro - Fernando Pessoa ingressa novamente na Durban High School onde frequenta o equivalente a um primeiro ano universitário. Aprofunda a sua cultura, lendo os clássicos ingleses e latinos. Escreve poesia e prosa em inglês, surgindo os heterónimos Charles Robert Anon e H. M. F. Lecher.
Agosto - Nasce a sua irmã Maria Clara, no dia 16.
Dezembro - Publica no jornal do liceu um ensaio crítico com o título Macaulay. Dia 16 faz o «Intermediate Examination in Arts» na Universidade, com bons resultados (os melhores da província do Natal). Mas com este exame terminariam nos seus estudos na África do Sul.

[1905]

Agosto - No dia 20 parte sozinho para Lisboa a bordo do vapor Herzog. Seria agora um regresso definitivo à sua pátria, na verdadeira acepção de que regressava à terra de seu pai. Em Lisboa fica algum tempo na casa da Tia Avó Maria Cunha, em Pedrouços. Depois vai viver com a Tia Anica, irmã da sua mãe, na Rua de São Bento, n.º 19, 2.º Esquerdo. Continua a escrever poesia em inglês.
Outubro - No dia 2 começa a frequentar o Curso Superior de Letras em Lisboa.

[1906]

Começa a escrever páginas para um diário que será sempre errático e ocasional.
Maio-Agosto - Está doente, falhando os exames de Julho na Universidade.
Setembro - No final do mês matricula-se novamente na Universidade, no 1.º ano. Tem grande empenho no estudo da cadeira de filosofia.
Outubro - No início do mês a mãe e o padrasto vêm a Lisboa de férias e Fernando vai viver com eles na Calçada da Estrela, n.º 100, 1.º.
Dezembro - Morre, em Lisboa, no dia 11, a sua irmã Maria Clara.

[1907]

Surge o heterónimo Jean Seul.
Abril - Há uma greve académica que paralisa o Curso. Segundo alguns especialistas Pessoa terá desempenhado um papel de alguma relevância.
Maio
- Com o regresso a Durban da sua família, Fernando Pessoa vai viver com a Avó Dionísia e as duas Tias Avós maternas na Rua da Bela Vista à Lapa, n.º 17, 1.º. Entretanto desiste da Faculdade e começa a ler os filósofos gregos e alemães, bem como os decadentes franceses.  No dia 10, João Franco instaura a ditadura em Portugal.
Junho - Pessoa abandona o Curso Superior de Letras.

Setembro -
Começa a trabalhar na R.G. Dun. No dia 6, morre a sua avó Dionísia, que lhe deixa uma pequena herança. 
Pessoa recusa a oferta de bons lugares, porque as obrigações de um horário fixo o impediam de realizar a sua obra literária.

[1908]

Fevereiro - Dia 1 são assassinados o Rei D. Carlos e o Príncipe herdeiro, quando regressavam de Vila Viçosa num carro aberto.
Descreve, em notas autógrafas, as influências que começa a sentir de autores portugueses como Antero, Junqueiro, Nobre e Cesário Verde.
Setembro
- Dia 6 começa a escrever o Fausto (é o primeiro fragmento datado, pelo que o início pode ser anterior).

[1909]

Agosto - Pessoa vai a Portalegre comprar material para montar uma tipografia em Lisboa.
Novembro - É instalada de facto, na Rua da Conceição da Glória, 38 e 49, a «Empresa Ibiz - Tipográfica e Editora», que no entanto mal chega a funcionar. Pessoa vive na Rua da Glória, n.º 4, r/c. Começa a trabalhar como correspondente estrangeiro para escritórios comerciais.

[1910]

Escreve poesia e prosa, em português, inglês e francês. Sofre influência dos simbolistas franceses e de Camilo Pessanha.
Outubro - No dia 5 é proclamada a República.
Dezembro - É fundada, no Porto, a revista «A Águia».

[1911]

Muda-se para o Largo do Carmo, 18-20, 1.º.
Maio
- Pessoa aceita traduzir para português uma Antologia de Autores Universais, dirigida por um editor americano e destinada a ser publicada no Brasil.
Junho - Muda-se para a Rua Passos Manuel, 24, 3.º onde vive alguns meses com a sua tia "Anica".
Setembro - Dia 12 o seu padrasto é nomeado cônsul-geral de Portugal na África do Sul e a família muda-se para Pretória. Dia 21 morre a sua tia-avó Maria, na cada da tia "Anica".


[1912]

Janeiro - É fundada, no Porto, o movimento da «Renascença Portuguesa». A «A Águia», dirigida por Teixeira de Pascoaes, torna-se um órgão desse movimento.
Fevereiro - Instala-se numa morada da Rua Passos Manuel.
Abril - Estreia literária de Pessoa, com a publicação em «A Águia» do seu artigo A Nova Poesia Portuguesa Sociologicamente Considerada. Seguido em Maio por Reincidindo... Os dois artigos criam uma grande polémica.
Outubro - Dia 13 Sá-Carneiro parte para Paris, onde se inscreve na Sorbonne. Inicia-se a correspondência entre os dois amigos. Novembro - Pessoa publica, em três números seguidos de «A Águia», o ensaio A Nova Poesia no seu Aspecto Psicológico. No mesmo mês muda-se para a casa da Tia Anica, na Rua de Passos Manuel.

[1913]

Período intenso de criação. Colabora em diversas publicações, como a revista Teatro. Escreve Epithalamium (em Março), Hora Absurda, o drama estático O Marinheiro e Na Floresta do Alheamento (em Agosto). Este ano é também importante como período de intensa discussão e tertúlia com os jovens artistas da geração de Pessoa, que costumavam frequentar cafés em Lisboa.

[1914]

Sá-Carneiro regressa a Portugal. Pessoa continua a sua colaboração com diversas publicações.
Abril - Muda-se para a Rua Pascoal de Melo, 119, 3.º dto.
Março - O dia 8 é para Pessoa o seu «Dia Triunfal». Como ele relata a Adolfo Casais Monteiro, na famosa carta de 13/1/1935 em que fala da génese dos heterónimos: "(...) acerquei-me de uma cómoda alta, e tomando um papel, comecei a escrever, de pé, como escrevo sempre que posso. E escrevi trinta e tantos poemas a fio, numa espécie de êxtase cuja natureza não conseguirei definir. Foi o dia triunfal da minha vida e nunca poderei ter outro assim.". Surgem no êxtase, primeiro o Guardador de Rebanhos de Alberto Caeiro, «O Mestre»; depois a Chuva Oblíqua de Fernando Pessoa; seguido do aparecimento dos discípulos Ricardo Reis e Álvaro de Campos (este com a Ode Triunfal).
Junho - Surge a primeira poesia assinada por Ricardo Reis.
Fernando Pessoa muda-se com a Tia Anica para a Rua Pascoal de Melo. Escreve fragmentos da Teoria da República Aristocrática. No Outono, começam as reuniões na cervejaria Jansen, à Rua Victor Cordon, do grupo de que sairá «Orpheu».
Novembro - A Tia Anica parte para a Suiça, com a filha e o genro. Pessoa abandona a casa da Rua Pascoal de Melo, atravessando de seguida uma crise depressiva. Escreve para o Livro do Desassossego de Bernardo Soares, um seu outro heterónimo. Acaba por romper com o grupo da «Renascença Portuguesa». Aluga um quarto na Rua D. Estefânia, 127, r/c dto (na cada de uma engomadeira).

[1915]

Março - No dia 24, sai o primeiro número de «Orpheu», com colaborações importantes de Pessoa, dando inicio concreto ao movimento modernista em Portugal (sobretudo pela inclusão da "Ode Triunfal" de Álvaro de Campos neste número).
Abril
- Colabora em «O Jornal», na rubrica Crónica da vida que passa, desde dia 4 a dia 21.
Maio - Publica o artigo O Preconceito da Ordem. Primeira versão de Antinous. A dia 14 o regime de Pimenta de Castro cai.
Junho - Saí o segundo, e último, número de «Orpheu». Pessoa é agora director.
Julho - «A Capital» publica um artigo contra o grupo de «Orpheu». Campos retalia com uma carta dirigida ao director do jornal em que ironiza com a queda de Afonso Costa de um eléctrico e coloca Pessoa em perigo de vida (a intervenção de Almada Negreiros será essencial para que nada lhe tenha acontecido).
Setembro - Sá-Carneiro, já novamente em Paris, comunica a Pessoa que não há dinheiro para o número 3 de «Orpheu» poder ser publicado. As provas deste número, no entanto, chegam a ser completadas. Completa a tradução do Compêndio de Teosofia de C. W. Leadbeater. 
Dezembro - A mãe de Pessoa adoece, em Pretória, com uma apoplexia. Surge a personalidade literária e astrólogo Raphael Baldaia.

[1916]

Março - Pessoa experimenta com o fenómeno da escrita automática. No dia 9 a Alemanha declara guerra a Portugal.
Abril -
Publica o poema Hora Absurda. No dia 26, ás 8 horas e 20 minutos, Sá-Carneiro suicida-se em Paris, no Hotel de Nice, ingerindo 5 frascos de estricnina. As causas do suicídio estariam certamente relacionadas - mesmo que essa fosse apenas a maior das causas - com as dificuldades económicas que o afligiam. O último bilhete para Pessoa diz: "Um grande, grande adeus do seu pobre Mário de Sá-Carneiro". Pessoa, numa carta à Tia Anica datada de 24 de Junho de 1916, diz ter sentido mediunicamente a grande crise por que passava Sá-Carneiro em Paris.
Maio - Pessoa muda agora habitualmente de habitação. Frequenta quartos alugados na Rua Antero de Quental, na
Outubro/Novembro - Mora na Rua Almirante Barroso, num quarto contíguo à Leitaria Alentejana.
Dezembro - Mora na Rua Cidade da Horta. Publica os Passos da Cruz.

[1917]

Portugal intervém na Grande Guerra, suscitando comentários escritos de Pessoa.
Abril - Almada Negreiros anuncia o futurismo ás massas, numa conferência, no dia 14, no Teatro República intitulada Ultimatum futurista ás gerações portuguesas do século XX.
Maio - No dia 12, o número 3 da revista "Orpheu" é terminado, mas não chega a ser publicado, por falta de dinheiro.
Junho - Dia 6 recebe uma carta de rejeição de um editor inglês, a quem tinha enviado o livro "The Mad Fiddler".
Julho/Agosto - Funda a firma F.A. Pessoa. Os seus sócios são A. Ferreira Gomes e o Engenheiro Geraldo Coelho de Jesus, Trata-se de um escritório de comissões e consignações na Rua de S. Julião, 45, 2.º.
Novembro - Pessoa colabora no «Portugal Futurista».  Passa a viver na Rua Bernardim Ribeiro, 17, 1.º.
Dezembro - Dia 5 há um golpe de estado e Sidónio Pais instaura uma nova ditadura.


[1918]

Abril - Dia 29 morre Santa-Rita Pintor (nome por que era conhecido o pintor Guilherme de Santa-Rita, amigo de Pessoa, um dos elementos precursores do modernismo - a que Pessoa também pertencia por direito próprio - em Portugal). A sua obra é queimada, por respeito à sua última vontade.
Maio - O escritório de representações é trespassado.
Julho - Publica, às suas custas, Antinous e 35 sonnets e envia-os a diversos editores ingleses.
Setembro - A crítica inglesa analisa os poemas ingleses de Pessoa. O «Times» e o «Glasgow Herald» publicam artigos de crítica sobre os volumes Antinous e 35 Sonnets.
Outubro - Morre Amadeo de Sousa Cardoso, amigo de Pessoa, vitimado pela gripe espanhola.
Dezembro - No dia 14 é assassinado em Lisboa o Presidente Sidónio Pais, no qual Pessoa tinha visto o novo Sebastião. Depois da morte de Sidónio, Pessoa passa a considerá-lo como mais um dos falsos D. Sebastião na história nacional. Abre-se, com o assassinato, uma grave crise política. Pessoa mora na Rua Santo António dos Capuchos.

[1919]

Pessoa escreve os Poemas Inconjuntos de Alberto Caeiro, que vão aparecer com a data fictícia de 1913-1914, por coerência diacrónica com a biografia do heterónimo, morto em 1915.
Outubro - Morre no dia 5 o seu padrasto, em Pretória.
Pessoa, morando na Avenida Gomes Pereira, dedica-se à ensaística política. Publica na «Acção», os artigos Como Organizar Portugal e A Opinião Pública.
Agosto - Muda-se para a Rua Capitão Renato Baptista, 3, r/c esq.
Novembro - Conhece, no escritório «Félix, Valladas & Freitas», Ophélia Queiroz, que ia a responder a um anúncio. Pessoa era primo e amigo do sócio Freitas e por isso frequentava o escritório. Muda-se para a Av. Gomes Pereira, em Benfica.

[1920]

Janeiro - Publica na revista inglesa The Athenaeum o poema "Meantime".
Fevereiro - Dia 20 os três  meios-irmãos e a mãe de Pessoa embarcam para Lisboa.
Março - É datada de 1 de Março a primeira carta, de resposta, de Fernando Pessoa a Ophélia Queiroz. O namoro começa com esta carta, mas no entanto Pessoa, ao longo de algumas semanas, desde o encontro inicial, já fazia a corte a Ophélia, tendo-a inclusive beijado "apaixonadamente, como um louco". Dia 30, a mãe e os meios-irmãos de Pessoa regressam a Portugal. Pessoa vai viver com eles, dia 29, para a Rua Coelho da Rocha, 16, 1.º. Por esta altura, Pessoa concorre, com o nome de A. A. Crosse, nos concursos do «Times», talvez tentando o golpe de sorte que lhe daria os recursos necessários para casar com Ophélia.
Maio - Os meios-irmãos Luís e João partem para Inglaterra.
Outubro - Atravessa uma grande crise psíquica. Pensa mesmo em internar-se.
Novembro - Interrompe a sua relação com Ophélia. Pessoa diz na carta de ruptura, datada de 29 de Novembro de 1920, que o seu destino pertence a "outra Lei", "subordinado (...) à obediência a Mestres que não permitem nem perdoam".

[1921]

Funda a Editora «Olisipo», com sede na Rua da Assunção, 58, 2.º. No mesmo ano surge em Lisboa a «Seara Nova», que tem em António Sérgio, Raul Proença, Aquilino Ribeiro e Jaime Cortesão os seus elementos fundadores.
Outubro - Dia 19 é a "noite sangrenta", ocorrendo o assassinato de diversos republicanos.
Dezembro - Publica, na Olisipo, os seus English Poems I e II e English Poems III e a Invenção do Dia Claro de Almada Negreiros.

[1922]

Maio - Pessoa colabora com assiduidade na revista «Contemporânea», de José Pacheco até Outubro. A Editora Olisipo publica a 2ª edição das Canções de António Botto.
Novembro - É fundada a firma F.N. Pessoa com sede na Rua de S. Julião, 52, 1.º. Os sócios prováveis são Augusto Franco, Albano da Silva e Júlio Moura.

[1923]

Fevereiro - A obra Sodoma Divinizada de Raul Leal (Henoch) é publicada pela Olisipo. Logo de seguida (dia 19) é alvo de um ataque cerrado da Liga dos Estudantes de Lisboa.
Março - A obra é apreendida, assim como as Canções de António Botto. Álvaro de Campos reage, publicando Sobre um Manifesto de Estudantes.
Abril - Álvaro de Campos reage, publicando Aviso por Causa da Moral.
Julho - Assina o protesto de intelectuais portugueses contra a proibição censória do Mar Alto de António Ferro. António Botto publica Motivos de Beleza, com uma nota de Pessoa. Dia 21 a mãe e a irmã de Pessoa Henriqueta, vão viver para a Quinta dos Marechais, Alto da Boa Vista em Benfica, deixando Pessoa a viver sozinho. Henrique Rosa vai também viver para a Quinta dos Marechais, por se encontrar doente.

[1924]

Outubro - Sai o primeiro número da revista «Athena», que Pessoa dirige com o pintor Ruy Vaz e para a qual colabora com  vinte odes de Ricardo Reis.

[1925]

Fevereiro - A «Athena» cessa a publicação com o seu número de Fevereiro. Dia 8 falece o General Henrique Rosa.
Março - No dia 17, morre a mãe de Fernando Pessoa. Mário de Saa publica o volume A Invasão dos Judeus, no qual Pessoa é uma das figuras analisadas.
Outubro - A irmã Henriqueta (Teca) e o marido regressam à Rua Coelho da Rocha, depois a filha de ambos ter morrido no Verão deste ano. A razão do regresso à Coelho da Rocha deve ter estado ligada às mortes sucessivas da mãe e do padrasto de Pessoa e da pequena bebé, todas ocorridas na mesma casa.

[1926]

Janeiro - Dia 1 é publicado, em serial, a tradução de Pessoa de A Letra Encarnada. Dia 25 inicia-se a publicação da «Revista de Comércio e Contabilidade», que Pessoa dirige com o seu cunhado, o Coronel Francisco Caetano Dias e para a qual colaborará com diversos artigos.
Abril - Morre a tia-avó Carolina.
Maio - No dia 28 há um golpe militar que põe fim à Primeira República, instaurando a ditadura com Gomes da Costa.
Julho - Novo golpe, por Sinel de Cordes e Óscar Carmona.
Agosto - Pessoa regista a patente para um «Anuário indicador sintético, por nomes e outras quaisquer classificações, consultável em qualquer língua».
Outubro - O diário Sol publica, em serial, a tradução de Pessoa do romance policial O Caso da 5.ª Avenida.

[1927]

Março - Sai o primeiro número da revista «Presença».
Abril - No terceiro número da «Presença», José Régio reconhece em Pessoa o Mestre da nova geração.
Junho - Primeira colaboração de Pessoa na «Presença».
Novembro - A irmã de Pessoa, o cunhado e a sobrinha mudam-se para Évora.

[1928]

Abril - Publica o texto Interregno. António de Oliveira Salazar é nomeado Ministro das Finanças. Pessoa colabora em diversas publicações. Em conjunto com José Pacheco, Mário Saa, António Botto e outros, funda a «Solução Editora».
Maio - Inicia a sua colaboração com O Notícias Ilustrado.
Agosto - Cria o último heterónimo, o Barão de Teive, um fidalgo que cultivava ideias suicidas.

[1929]

Abril-Junho - Publica textos do Livro do Desassossego.
Junho - O crítico e amigo de Pessoa, João Gaspar Simões, dedica 20 página do seu livro Temas ao estudo da obra do poeta. É o primeiro estudo crítico sobre a poesia de Pessoa.
Setembro -
No dia 2, Fernando Pessoa oferece a Carlos Queiroz, seu amigo e sobrinho de Ophélia, uma fotografia sua que o retratava bebendo um copo de vinho no Abel Pereira da Fonseca. Ophélia acha graça à fotografia e pede uma cópia para si. Fernando Pessoa manda-lhe uma com a dedicatória: "Fernando Pessoa. Em flagrante delitro". Assim se reacende a relação sentimental entre os dois. Data de 11 deste mês, a primeira carta de Pessoa a Ophélia, nesta segunda fase do namoro. É uma carta de resposta à que Ophélia lhe mandara em agradecimento do envio da cópia pedida.
Outubro - Morre, em Tavira, a sua "tia" Lisbela.
Dezembro - Dia 4 envia uma correcção do horóscopo de Aleister Crowley em carta à editora deste, na qual encomenda livros.


[1930]

Janeiro - Dia 11 é a data da última carta a Ophélia.
Setembro -
No dia 2 chega a Lisboa o Mago Aleister Crowley. Por se ter atrasado por causa do nevoeiro, dispara a Pessoa, que nunca tinha visto antes: "Por que diabo me mandou você um nevoeiro?". A estadia de Crowley é aproveitada para encenar o desaparecimento deste na Boca do Inferno, em Cascais, dia 23.
É um intenso período de criação heterónimica.
Outubro - Dia 5 O Notícias Ilustrado publica um testemunho de Pessoa sobre o "caso Crowley".
Novembro - A irmã de Pessoa, que estava em Évora, regressa a Lisboa.

[1931]


Fevereiro -
Publica na Presença o VIII poema do "Guardador de Rebanhos".
Março - Data de 21 deste mês a última carta de Ophélia a Pessoa. Dá-se por isso nos primeiros meses de 1931 a efectiva e terminal interrupção da relação sentimental entre os dois.

[1932]

Julho - Dia 5 Salazar é eleito presidente do conselho.
Setembro -
Dia 16 apresenta uma candidatura ao lugar de conservador-bibliotecário do Museu-Biblioteca Condes de Castro Guimarães, em Cascais, motivado por dificuldades económicas. No entanto não seria ele o escolhido pelo Presidente da Câmara, mas sim o pintor Carlos Bonvalot.
É publicada a obra Alma Errante, com prefácio de Pessoa. A irmã de Pessoa e o marido constroem uma moradia em São João do Estoril, que mais tarde Pessoa visita amiúde.

[1933]

Janeiro - Pierre Hourcade publica traduções de poemas de Pessoa em francês, nos Cahiers du Sud, com uma introdução.
Março-Abril - Prepara o livro de Sá-Carneiro, Indícios de Ouro.
Julho - Publica o poema A Tabacaria, na Presença.
Atravessa nova crise psíquica. No entanto, é um período de grande criatividade crítica e ortónima.
Outubro - António Ferro é nomeado director do Secretariado de Propaganda Nacional, que foi criado em Setembro.

[1934]

Maio - Última colaboração com a Presença.
Julho - Inicia o projecto de escrever quadras "populares". Até Agosto de 1935 escreve 350.
Outubro - Saem alguns exemplares de Mensagem, de modo a permitir que a obra concorra ao prémio do SPN. No dia 10, Fernando Pessoa deixa um exemplar autografado da Mensagem no hotel onde estava hospedada a poeta Brasileira Cecília Meireles. Pessoa tinha marcado um encontro com ela, mas falhou justificando-se com um horóscopo desfavorável.  
Dezembro - Dia 1 (dia da Restauração) é o dia escolhido para o lançamento oficial de a Mensagem.
Faz o prefácio ao livro Quinto Império, de Augusto Ferreira Gomes.

[1935]

Janeiro - Dia 13 escreve uma carta extensa a Adolfo Casais Monteiro onde explica a génese dos heterónimos.
Fevereiro - Dia 4 defende as associações secretas num artigo publicado no «Diário de Lisboa».
Na Primavera vem a Portugal, em viagem de núpcias, depois de quinze anos de ausência, o irmão Luís Miguel. Pessoa deixa-se fotografar com a família em diversas ocasiões, nomeadamente diante do Mosteiro dos Jerónimos em Belém.
Outubro - Dia 21 Pessoa escreve o último poema de Álvaro de Campos: "Todas as cartas de amor são ridículas".
Novembro - Dia 13 escreve o último poema de Ricardo Reis ("Vivem em nós inúmeros"). Dia 19 escreve o último poema datado em português: "Há doenças piores que as doenças". Dia 22 escreve os últimos poemas datados em inglês ("The happy sun is shinning") e francês ("Le sourire de tes yeux bleus"). Por volta do dia 27 ou 28, Pessoa encontra-se pela última vez com João Gaspar Simões e Almada Negreiros. Dias antes, Pessoa tinha tido uma grave crise hepática que o fizera perder os sentidos na casa de banho da casa da Rua Coelho da Rocha, tendo o médico avisado que mais um cálice de aguardente seria fatal. No dia 28 é internado no Hospital de S. Luís dos Franceses, onde lhe é diagnosticada uma cólica hepática. Ao morrer pede os óculos. Morre no dia 30, ás 20 horas e trinta minutos, estando presentes o Dr. Jaime Neves e os amigos Francisco Gouveia e Vítor da Silva Carvalho.
Dezembro - No dia 2 é levado a enterrar o seu corpo. Ás onze horas o caixão saiu da capela do Cemitério dos Prazeres. Repousará no jazigo da sua avó (Rua 1, Direita, n.º 4371). Acompanhavam a procissão fúnebre amigos do poeta, entre os quais: Luís de Montalvor, António Ferro, Raul Leal, Alfredo Guisado, Almada Negreiros, João Gaspar Simões, António Botto e Carlos Queiroz. Representava a família o Capitão Caetano Dias. Junto do jazigo, Luís de Montalvor proferiu um breve elogio fúnebre, improvisado e sentido. A noticia necrológica da morte de Fernando Pessoa foi publicada no «Diário de Notícias» de 3/12/1935.

Na ocasião dos cinquenta anos da sua morte (1985), e no dia do seu aniversário, 13 de Junho, os seus restos mortais foram transladados para o Mosteiro dos Jerónimos.


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